PASTORAL DO DÍZIMO

Dízimo é o gesto de gratidão a Deus do que somos e temos. Foi a forma que Abraão encontrou para agradecer, devolvendo a Deus a parte dos bens conquistados, não porque Deus precisasse, mas por gratidão ao Senhor a quem tudo pertence. Depois deste primeiro gesto de Abraão encontramos várias citações na Bíblia que apontam para a importância ao dízimo.

Em 1967 os Bispos do Brasil refletiram sobre o ser católico e sua missão da Igreja. E para a Igreja possa continuar sua missão de evangelizar, os leigos deverão exercer seu protagonismo. A conscientização do dízimo ocupa lugar de destaque enquanto instrumento da ação evangelizadora. Em 1974, na 16ª Assembléia dos Bispos do Brasil, foi criada a partir de então a Pastoral do Dízimo com o objetivo de dar continuidade ao plano de ação da Igreja.

Em nossa paróquia esta pastoral foi implantada em 1990. O trabalho de conscientização em torno ao dízimo nunca está concluído, pois a realidade social, econômica e cultural muda constantemente e, com ela, sempre surge a necessidade de inovações e adaptações para atender as inúmeras demandas pastorais.

Na atualidade as pessoas sentem o desejo de serem dizimistas. A pastoral já está implantada em todas as comunidades. Os paroquianos estão cada vez mais conscientes de que o dízimo possui várias dimensões além da econômica que mantém o aparato burocrático de uma paróquia funcionando. É o caso da dimensão propriamente religiosa, social e missionária.

Dimensão religiosa: compreende todo material utilizado por ocasião das diversas celebrações; ajuda a manter as pastorais em pleno funcionamento, bem como a casa paroquial com o respectivo pároco e outros vigários paroquiais.

Dimensão social: o dízimo se destina também para ajudar os mais necessitados (e não são poucos!). A gama de pastorais de cunho especificamente social são mantidas basicamente pelo dízimo.

Dimensão missionária: é preciso investir na formação de nossos leigos e leigas e na capacitação das lideranças de pastoral. Para tanto, a paróquia há de prover recursos suficientes para promover cursos, encontros, palestras, participação em eventos culturais, entre outros. Sem o dízimo, isso seria impossível.

Sabemos que para Deus o mais importante não é o dízimo, mas sim o dizimista. Por isso, meus irmãos minhas irmãs, façam essa experiência de contribuir com sua comunidade através do dízimo e Deus certamente lhes cobrirá com suas bênçãos muito além do que precisam (cf. Mal. 3,8-10).

Dízimo não é nova lei, esmola, taxa ou comércio; é uma oferta espontânea, livre e familiar. É preciso ter isso claro. Segundo o espírito bíblico e cristão é conseqüência de um ato de fé livre e comprometido com a minha comunidade. Pois, a minha vida, o que sou e tenho é um dom de Deus. E uma forma de expressar essa gratidão a Deus, como Abraão, é oferecendo o dízimo.

Colabore com o dízimo na comunidade onde você participa (Paróquia ou Capela).

Dízimo Coerente

  • O dízimo é um ato de louvor e adoração a Deus.

  • O dízimo é um compromisso do cristão que ama Deus e sua comunidade.

  • É um ato de fé, sinal de agradecimento pelos dons e bens recebidos de Deus. Torna-se participativo, diante do próprio aspecto comunitário que o envolve.

  • O dízimo é comunidade: “um por todos, todos um”. Gera conscientização e crescimento comunitário: acaba com as taxas cobradas pelos serviços religiosos.

  • Aprimora o sentido de partilha e amizade entre os cristãos e a Igreja.

  • O dízimo leva a nos sentir responsáveis pela organização e manutenção da comunidade ou da Paróquia, e pelas obras de Deus nesta terra.

Por isso, devemos sempre cuidar das obras de Deus com o mesmo amor e carinho que cuidamos das nossas coisas.

Quando “devolvemos” o dízimo, não devemos tocar trombeta, pois é apenas um sinal de obediência à Palavra de Deus. Que o dízimo jamais gere algum motivo de desunidade para construir as obras do Reino de Deus e nunca dividir e destruir o que já fora construído com muito empenho e amor.

É por meio dos frutos materiais e espirituais que o dízimo proporciona, que a comunidade deve caminhar. Quem vivenciar apenas os valores materiais, corre o risco de não viver e sentir isso.

O dízimo é fruto vivo da fé e a do amor. O dizimo é uma semente que devidamente plantada, gera com certeza o testemunho “as palavras convencem, mas os testemunhos arrastam”.

O dízimo acaba com os donos, pois leva o cristão à experiência do desapego dos valores materiais. “O homem é apenas administrador dos bens de Deus”.

O dízimo vivência a partilha e com isso vence o egoísmo do coração.

O dízimo deve nos levar a uma vida de comunidade onde todos sintam um por todos e todos por um. O dízimo também deve nos levar a harmonia e entrosamento comunitário. É na harmonia das relações entre as pessoas que se torna possível o êxito do trabalho em comunidade.

Nenhum trabalho comunitário caminha bem sem a participação fiel e concreta de todos. O equilíbrio da vida em comunidade só existirá mediante o amor pessoal de cada um sobre si mesmo e a conquista de utilizar seus dons em beneficio do outro.

Por isso, ninguém deve ficar excluído do trabalho ou deixar de ser dizimista, pois o trabalho de evangelização e conscientização do dízimo não é responsabilidade somente da Pastoral do Dízimo ou do Padre, e sim de todos os grupos, movimentos e pastorais e das pessoas que deles participam ou não.

Todo dizimista ou não, é responsável pela evangelização do dízimo.

Portanto, como Igreja vamos participar, colaborando para a busca da unidade na comunidade (Jô 17,20-26).

Que o dizimo não venha apenas gerar apenas valores materiais, mas que gere sim: fé, partilha, consciência, compromisso, paz, generosidade, fraternidade, unidade, e fidelidade ao plano de Deus. E, como a Igreja assim se caminhe junto á Jesus.

O dizimo coerente é aquele que nasce e cresce pela fé.

“A plena conversão do cristão ao dízimo, esta na mesma medida e proporção de sua conversão em Cristo”